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Opinião
 
Comissão Europeia - Sociedade da Informação
Quando os boiões de iogurte começam a falar connosco: a Europa prepara-se para a revolução da Internet

A Comissão Europeia anunciou em Junho de 2009 uma série de acções destinadas a garantir que a Europa assuma um papel proeminente na configuração dessas novas redes de objectos interconectados, que incluem desde livros a automóveis, de aparelhos eléctricos a alimentos – em suma, a nova «Internet das coisas».

O plano de acção da União Europeia contribuirá para que os europeus beneficiem desta evolução e, ao mesmo tempo, procura responder aos desafios decorrentes desta nova realidade e que têm que ver com o respeito da vida privada, a segurança e a protecção dos dados pessoais.

"Todos os dias vemos novos exemplos de aplicações que conectam objectos à Internet e a outros objectos: desde automóveis conectados a semáforos que controlam os congestionamentos, até electrodomésticos conectados a redes eléctricas e contadores inteligentes que permitem saber o consumo de electricidade ou mesmo vias para peões conectadas capazes de guiar os deficientes visuais," declarou Viviane Reding, Comissária europeia responsável pela sociedade informação e os media . "O que esta evolução da Internet promete é tão ilimitado como o número de objectos do nosso quotidiano que envolve. No entanto, temos de garantir que os europeus, enquanto cidadãos, empreendedores e consumidores, ditem a tecnologia em vez de ser a tecnologia a ditar-lhes as regras."

A Internet dos nossos dias liga cerca de 1500 milhões de utilizadores em todo mundo através de computadores e de dispositivos móveis (cerca de 300 milhões na UE). Um próximo passo importante no percurso da rede nos próximos anos será a capacidade para progressivamente conectar não só computadores mas também máquinas e uma variedade de objectos físicos, criando assim uma «Internet das coisas». Podem ser simples objectos do dia-a-dia, como boiões de iogurte que registam a temperatura ao longo da cadeia de abastecimento ou dois medicamentos receitados que avisam os pacientes de uma possível incompatibilidade. Ou podem ser coisas mais sofisticadas, como sistemas de monitorização do estado de saúde das pessoas ou sistemas de reciclagem, que podem ajudar a responder aos desafios sociais actuais, como o envelhecimento da população e as alterações climáticas. Com a profusão de objectos que diariamente nos rodeiam, esta interconexão de objectos físicos amplificará os profundos efeitos que as comunicações modernas estão a produzir na nossa sociedade.

As 14 acções anunciadas pela Comissão para promover a evolução desta «Internet das coisas» na UE (ver anexo) incluem a normalização, em toda a Europa, das tecnologias envolvidas e o melhor financiamento da investigação, mas também medidas destinadas a proteger a vida privada, os dados e a segurança das pessoas à medida que "o cerco" tecnológico se aperta. Já no mês passado a Comissão referiu que o surgimento de novas tecnologias como as etiquetas inteligentes (dispositivos de identificação por radiofrequências – RFID) obriga a que se dê prioridade à protecção dos dados pessoais dos cidadãos, e apresentou recomendações sobre a melhor forma de o conseguir ( IP/09/740 , IP/09/571 ) .

A Comissão procura também garantir a disponibilidade de um número suficiente de endereços Internet (necessários para conectar cada objecto à Internet, tal como são necessários para os sítios Web) para que esta nova vaga de objectos conectados possa emergir. Para isso, será necessário implantar a mais recente fonte de endereços Internet, a versão 6 do Protocolo Internet, ou IPv6, criando as condições para a sua aceitação generalizada, que permitirá que objectos como os electrodomésticos possuam os seus próprios endereços IP para se poderem conectar com outros dispositivos ( IP/08/803 ) .

Antecedentes:
Em 2006, a Comissão Europeia lançou uma consulta pública ( IP/06/289 ) sobre o desenvolvimento e a utilização de pastilhas inteligentes (ou tecnologias de identificação por radiofrequências - RFID). Com base nessa consulta, foi publicada uma Comunicação, em Março de 2007, em que a Comissão sublinhava que a RFID era apenas a ponta do icebergue de uma evolução em curso mais vasta, conhecida pelo nome de «Internet das coisas».

O plano de acção apresentado desenvolve essa declaração e propõe catorze passos para explorar todo o potencial desta nova evolução. A Comissão irá agora pôr em prática este plano, juntamente com todas as partes interessadas, e apresentará, dentro de três anos, uma outra Comunicação que constituirá um relatório das actividades relevantes.

A Comissão Europeia adoptou igualmente uma Comunicação estratégica sobre o futuro do governo da Internet: ver IP/09/951

O plano de acção sobre a «Internet das coisas» pode ser visto AQUI:

 
Nuno Ribeiro é Director de eBusiness & Multimedia da Controlinveste
O início da Era Digital
 
Henrique Carreiro é Director da área de Information Worker na Microsoft Portugal e Director ACEP
Netbooks e Comércio Electrónico
 
José Pedro de Almeida, Senior Consultant - Work Value
A Segurança dos Cartões de Crédito em Compras pela Internet
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